• Roni Carlos Costa Dalpiaz

VELHO CASARÃO

Há vários anos esperava encontrar uma fotografia de um antigo casarão que morei quando criança. Procurei durante muito tempo e nunca encontrei. Por acaso, olhando alguns arquivos de antigas fotografias que recebi de várias pessoas, me deparei com esta reproduzida acima. Comecei a observar as casas e o lugar e identifiquei que era próximo do local em que estaria o casarão e olhando para o canto inferior esquerdo desta imagem encontrei o meu famoso casarão.



Minha família veio para Torres em 1969 e alugou este imóvel para ser uma distribuidora de bebidas: a primeira da cidade. O casarão foi dividido em duas partes: comercial e residencial. A parte comercial - o depósito de bebidas - estava localizada de frente para a Avenida Silva Jardim e a parte residencial, da metade para trás, ficava de frente para a rua Borges de Medeiros.

Eu deveria ter entre 5 e 6 anos e lembro vagamente deste casarão que para mim parecia estar sozinho em uma grande quadra no centro da cidade, o que não era realmente uma imaginação de criança – comprovado por informações dos meus pais, que afirmaram não existir a pequena casa nem a cerca ao lado quando lá moramos.

Esta imagem de Torres dos anos 60 (ou final dos anos 50) me despertou a curiosidade sobre os elementos que aparecem e os que estão escondidos dentro de cada prédio inerte da fotografia. Os aspectos aparentes descrevo através de minha memória...

Olhando para ela vejo um ônibus da época estacionado na esquina desta pacata cidade. Ele poderia ser da antiga empresa torrense de transportes de passageiros Mampituba ou da ainda em operação, Unesul (me ajudem os mais antigos), revelando a localização da antiga Estação Rodoviária de Torres, que hoje dá lugar a um prédio.

Uma coisa me chama a atenção: não há nenhuma pessoa em nenhuma das ruas que aparecem na imagem. Onde estariam os moradores? A fotografia teria sido feita em algum feriado? Mas existia sim, bastante gente!

Voltando a foto...

Acima do casarão, a esquerda, aparece um pedaço do antigo complexo da Corsan reinando absoluta naquela quadra. Hoje ainda permanece no mesmo local, porém envolta por prédios.

No meio da imagem está o antigo Grupo Escolar Governador Jorge Lacerda, escolinha da infância de muita gente e que também continua no mesmo lugar, porém acrescida de um prédio com muito mais capacidade para receber uma boa parte dos alunos torrenses.

A Igreja Santa Luzia, aparece um pouco mais acima na imagem. Ela tinha um desenho do estilo românico de rara beleza, hoje desfigurada por uma arquitetura sem estilo. A igreja ao longo dos anos foi ampliada e atualmente ganhou a companhia do novo salão paroquial e da rádio Maristela que não aparecem na fotografia, nem sei se eles existiam nesta época, hoje não mais existem e estão dando lugar a um conjunto de prédios comerciais. Também não aparece na fotografia o supermercado Real que ficava em frente a rodoviária e que hoje em seu lugar está o banco Banrisul.

Do lado esquerdo da igreja está o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, já com um porte médio servindo a já próspera cidade. Também conservado no mesmo lugar, hoje o hospital oferece serviços bem mais complexos e completos a sociedade torrense.

Vejo ainda o Edifício Copacabana e o antigo prédio construído pela SAPT para abrigar seus funcionários, na fotografia aparecem logo atrás da igreja, o primeiro acima a direita e o outro a esquerda.

Bem, não sou historiador e nem quis buscar mais informações sobre todas as casas, seus moradores e outros aspectos, inclusive a data, por que espero a colaboração espontânea dos leitores para melhor descrever a cidade naquele momento específico.


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