• Roni Carlos Costa Dalpiaz

VARIG, UMA EMPRESA ALEMÃ – PRIMEIRA PARTE

Nasci, cresci e até bem pouco tempo tinha certeza de que a Varig era nossa, ou seja, a VARIG era gaúcha. Bem, de certo modo ela era sim nascida aqui, porém com capital e objetivos alemães. E isto era bem conhecido por autoridades e investidores, mas desconhecido ou escondido do resto da população.


Um dos primeiros aviões da Varig, na década de 1930 | Foto: Divulgação/Museu da Varig

Mas porque não se divulgava isso se já existiam outras tantas Cias aéreas não nacionais operando pelo país? Simplesmente porque ela estava ligada diretamente ao Partido Nazista.

Para explicar melhor esta afirmação, o historiador gaúcho Alexandre Fortes recorreu a Documentos do Departamento de Estado e da Inteligência Militar dos EUA produzidos entre 1938 e 1943. Os documentos mostram que funcionários do governo norte-americano investigaram as relações da Varig e de seu fundador, Otto Ernst Meyer, com o nazismo.

Segundo Fortes, Otto Meyer não parou no Brasil por uma coincidência e a criação de uma companhia de aviação civil também não era um mero sonho de um imigrante europeu na América do Sul, como a lenda de fundação da Varig contou durante anos.

Otto veio para o Brasil com a missão de apresentar propostas de criação de companhias aéreas nacionais, com participação de empresários locais, que teriam a possibilidade de conseguir aviões alemães para começar o negócio.

Segundo Fortes, Meyer desembarcou primeiro em Recife, porque o nordeste brasileiro era visto como um ponto estratégico para voos que ligassem o Velho Mundo e o Novo Mundo. Lá ele procurou e recebeu apoio da família Lundgren, dona das Casas Pernambucanas, mas não conseguiu outros interessados por sua empreitada.

Meyer saiu de Recife e foi para Santos, e novamente fracassou. Então resolveu fazer uma aposta na capital gaúcha, que tinha uma das mais fortes colônias alemãs do sul da América do Sul.

“Otto Meyer chega em Porto Alegre com a mesma proposta que outros pilotos alemães repetiam pelo continente, em busca de sócios para um sociedade anônima e isenção fiscal. Em uma assembleia reunindo boa parte dos empresários da época, a maioria deles alemães, ele consegue o apoio que faltou nos outros dois locais. O governo do Estado, nas mãos de Getúlio Vargas, o mesmo homem que quinze anos depois, como presidente, declara guerra à Alemanha de Adolf Hitler, entra com 20% das ações.

Nasce a Viação Aérea Riograndense: Varig.”

Esse nascimento aconteceu graças a articulações políticas dos empresários gaúchos de origem germânica. E esses empresários, segundo Fortes, eram simpáticos à ideologia nazista e isto ficou marcado no DNA da Varig, embora sempre escamoteado.

Nascida de interesses nazistas, a Varig se tornou um instrumento de poder tanto para os alemães quanto para o governo gaúcho, visto que o Rio Grande do Sul, naquela época era o quarto estado mais importante economicamente, mas ainda estava muito atrás de São Paulo, Rio e Minas.

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