• Roni Carlos Costa Dalpiaz

PASSADO E PRESENTE SAZONAL

Fui questionado sobre o problema da sazonalidade, mais precisamente da sazonalidade enfrentada por Torres ao longo dos anos.



A sazonalidade sempre foi usada, e como certa razão, como desculpa do insucesso turístico na baixa temporada já há bastante tempo. Não temos como descartá-la, por que ela realmente existe! O problema é o que fazemos (ou deveríamos fazer) para amenizá-la.

Sou do tempo em que a sazonalidade era tratada da seguinte forma: ela existe e é fato. Todo ano acontece e dura o tempo da baixa temporada.

E havia todo um ritual de preparação para aceitá-la, ou seria enfrentá-la! Só sei que ela era tratada como “da família” e dessa forma aceita da forma que existia.

Sempre após uma temporada, tudo era encaixotado e guardado, para a próxima. Comércio de temporada, hotéis, restaurantes, casas de veraneio, tudo ficava fechado esperando o próximo veraneio. E a vida seguia, tranquila na baixa temporada para acelerar na alta.

Não havia uma necessidade de mudança, tudo acontecia como deveria ser, porque “sempre foi assim”. Mas as coisas mudam, muitas vezes não na velocidade que queremos, mas mudam.

E Torres mudou, cresceu! Não só de tamanho, mas também amadureceu. Surgiram necessidades que até então não existiam, ou se existiam, não eram “tão” importantes.

Para quem já tem mais de meio século de existência acompanhou, um pouco, essa mudança e, mais pela experiência vivida do que por qualquer outra coisa, sabe que é possível lidar com a sazonalidade.

Uma das primeiras ações de enfrentamento é justamente o não enfrentamento. Como já a conhecemos de longa data, sabemos que ela é forte. Devemos nos preparar para amenizá-la, com planejamento quebrá-la em partes, enfraquecendo-a aos poucos, até deixá-la dócil e domada.

Fácil! Não, não é fácil. Tanto que ainda não se conseguiu este intento.

Porque falta planejamento, faltam projetos, faltam ações conjuntas.

Só se veem ações isoladas e dispersas. Umas dão certo, outras nem tanto.

Falta uma atitude vinda da gestão municipal aliada a comércio local com objetivos claros e a longo prazo. Um planejamento que defina o que vamos fazer, como vamos fazer, quem vai fazer o que, quando e a que preço. Só desta maneira é que podemos iniciar um trabalho para diminuir os efeitos da sazonalidade em nossa cidade.

Ideias mais concretas, tenho bastante. E acho que muita gente também as tem, só falta alguém as ouvir (e levá-las adiante). Mas sei, também, da dificuldade de articulação dos interesses envolvidos. Na teoria parece mais fácil, mas na prática...

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