• Roni Carlos Costa Dalpiaz

O FORASTEIRO ESPANHOL E AS MALAS SUSPEITAS

A história contada por Ruschel não é assim, digamos, verdadeira. Ela é, considerada por ele, uma “lenda urbana”. Mas, como ele mesmo disse, toda a lenda tem pelo menos uma “pi

tadinha” de verdade.


O caso do roubo do banco espanhol foi contado, primeiramente, pelo escritor e jornalista Mário Krás Borges, que trabalhou por anos no jornal Correio do Povo, depois, recontada por Ruschel, e agora é a minha vez.

Bem, a história acontece lá pelo ano de 1900 (e poucos) e teve como pano de fundo inicial a Espanha.

Nessa época a monarquia espanhola estava por um fio e o país vivia um período de muita agitação. Anarquistas e ativistas praticavam atentados repetidos, havia greves frequentes, crimes aterrorizantes, e muitos roubos de grande vulto.

Em um desses grandes roubos, foi audaciosamente levada uma fortuna do famoso banco da Espanha. O ladrão, que conseguiu fugir da polícia, teria escapado viajando para fora do país.

E sabe para onde?

Para a América Latina.

É, naquela época os países da América Latina comumente eram os destinos de quem queria fugir da Europa e ser esquecido pela justiça daqueles países.

E o Brasil era o país predileto!

Por essa época um estranho “castelhano” apareceu na pequena vila das Torres e hospedou-se na pensão do Teló (ou talvez do Guilleux). O forasteiro trazia consigo duas pesadas malas, aguçando a curiosidade do dono da pensão.

Com hábitos discretos, o inusitado hóspede, despertava interesse nos poucos habitantes da vila, um tanto pelas longas caminhadas que ele fazia. O estrangeiro, quase que diariamente, visitava os morros, subindo e descendo por horas. Também andava pela beira mar e pelas encostas das furnas. Hoje este comportamento é típico de um turista, mas naquele tempo não era assim. Por este motivo, o homem, era considerado esquisito pelos moradores da vila.

Não se sabe quanto tempo ele ficou por ali, mas foi por um longo período.

Um certo dia chegaram alguns agentes da polícia e foram diretamente à pensão onde o forasteiro estava hospedado. Lá identificaram o sujeito e o levaram preso sem dar muitas explicações.

Na pequena vila, a notícia do acontecido se espalhou rapidamente. A notícia repassada foi que o forasteiro era um assaltante de um banco espanhol e estava sendo repatriado para sua terra a fim de cumprir a sua pena. O, agora, ladrão se foi mas não levou as malas. Onde estariam as duas grandes malas? E o que teria dentro delas?

O tempo passou e a vila voltou ao seu normal até o dia em que chegou uma carta endereçada ao dono da pensão.

Ao abrir a carta, o dono da pensão, ficou espantado e a compartilhou com seus amigos mais chegados.

A carta era da esposa do ladrão espanhol. Na carta ela dizia que o seu marido havia morrido na prisão, mas antes deu a ela um mapa. No tal mapa estava detalhado o lugar onde ele havia enterrado as duas malas, bem como o conteúdo delas: ouro e joias.

Também na carta a viúva dizia-se disposta a dividir a fortuna contida nas duas malas com quem financiasse sua vinda da Espanha para Torres.

A proposta era realmente muito tentadora mas ela trazia no seu bojo algumas dúvidas intrigantes.

Seria verdade a história do tesouro nas malas?

A viúva realmente faria a divisão?

Se encontrado, o tesouro poderia ser confiscado pelo governo espanhol ou brasileiro?

O risco de pagar a passagem da Espanha para o Brasil valeria a pena?

Diante de tanta dúvida e depois de muito pensar e, muito provavelmente, pela escassez de fundos, o dono da pensão e seus amigos resolveram não aceitar a proposta da viúva.

Mas a notícia da carta e do tesouro já havia se espalhado como pólvora pela pobre e pequena vila das Torres...e da noite para o dia começaram a aparecer enormes buracos nas praias, nos morros e nas encostas...

Fonte: Torres tem história, Ruy Ruben Ruschel.

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