• Roni Carlos Costa Dalpiaz

FACHADISMO E O TURISMO

Várias cidades do mundo têm em sua arquitetura o grande interesse turístico. Por este motivo, mantiveram um olhar diferenciado na manutenção dos prédios históricos e da paisagem com o mínimo de alterações possíveis.


Vi recentemente no Facebook uma foto de Oxford em 1810 e outra do mesmo lugar e ângulo em 2015, o que as diferenciava era o asfalto e os carros, que só existiam na segunda foto. Acima das duas fotos estava escrito: “Não é preciso destruir o passado para se obter o progresso. ”

Pois bem, em nossa cidade há bem poucas edificações que tenham valor histórico, na verdade o núcleo urbano da cidade se iniciou por volta de 1800 e a partir daí por bastante tempo só existiam duas únicas ruas. E era nestas ruas que estavam os casarios mais antigos da cidade. Com a expansão da cidade, muitos chalés foram sendo construídos à beira mar na região da prainha, isso já na década de 1920 em diante, e lá foi sendo formado um pequeno bairro de veraneio, com casas de diversos estilos principalmente as de influências mexicanas. Esse conjunto de casas dava a esta parte da cidade um ar pitoresco que remetia aos antigos verões do século passado.

E, sem dúvida nenhuma, se tratava de um local com grande apelo turístico valorizado por quem vinha de fora, mas pouco valorizado pela cidade. Fato comprovado pela destruição quase que total desta antiga paisagem urbana. Poucos exemplares ainda restam, e certamente serão destruídos logo ali adiante. Eram só duas pequenas áreas urbanas que poderiam ser, de alguma forma, preservadas ou protegidas do avanço das construções. Infelizmente elas estavam na rota da especulação imobiliária.

Mas não é só aqui que isso acontece, nem mesmo os grandes destinos turísticos estão livres disso. Porém em alguns lugares em vez de colocar toda a construção “no chão”, as empresas que as compram mantêm suas fachadas “em pé”, e modificam todo o “recheio” da construção, ou ainda, constroem algo totalmente novo e moderno alheio a fachada.

“Um exemplo significativo do emprego dessa técnica é o Pelourinho em Salvador, Bahia, onde uma corrida pela preservação dos casarões históricos, somada à necessidade de torná-los úteis e usáveis, fez com que seu interior fosse totalmente demolido, apenas a fachada ficou de pé. ”

Um exemplo torrense do Fachadismo está na foto acima. Neste caso, excepcionalmente foi aceito a conservação apenas da fachada por que o restante não havia como recuperar. Esta foi a solução para a não destruição total desta casa de grande valor histórico e afetivo para a cidade, a casa onde morou o maestro e fundador da primeira banda da cidade, Antônio João Ramos.

(continua na próxima semana)

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