• Roni Carlos Costa Dalpiaz

DEBRET, DE NOVO!

Vila de Torres - Obra atribuída a Debret

Assunto bom sempre pode e deve ser revisitado.

Nesta semana estava finalizando um novo roteiro turístico histórico para o nosso Grupo Pé na História, e um dos personagens que será representado é o famoso Debret.

Aí pensei: Mas dizem que ele nem apareceu por estas bandas e até acham que as aquarelas atribuídas a ele não foram pintadas por outro artista francês, seu discípulo que realmente esteve no RS, mas não precisamente em Torres. Talvez nem tenha sido este, também, o autor das aquarelas.

Existem muitos “porém”, muitos “talvez”, muitas dúvidas e muitas mentiras! A ordem eu não sei. Mas as aquarelas existem, parecem com o estilo de Debret, os motivos são relacionados com a cidade (vila na época) e com o mar, o rio e as falésias.

Por esse motivo, tendo ele vindo ou não, pintado ou não, a história existiu e pode ser repassada e da mesma maneira, a dúvida pode ser levantada. É até mais um incremento à narrativa, lhe oferecendo ares de mistério.

O fato é que uma figura ilustre como essa deveria ser representada e apresentada ao torrense e ao turista/veranista da nossa cidade.

Para os meus leitores vou apresentá-lo aqui nesta coluna.

Debret, Jean Baptiste Debret pertencia a família burguesa francesa, culta e esclarecida, amadora de ciência e arte. Nasceu em 18 de abril de 1768, e terminados seus estudos secundários resolveu dedicar-se a pintura matriculando-se na escola de seu famoso parente Louis David. A morte de seu filho único de dezenove anos deixou-o abatido e David o aconselha a fazer uma viagem para a Itália.

Porém na mesma época havia duas grandes missões de artistas saindo da França, uma para a Rússia, solicitada pelo Czar Alexandre e outra para o Brasil, a pedido de Dom João VI. Debret escolheu a do Brasil e partiu do porto de Havre em 26 de janeiro de 1816 direto ao Rio de Janeiro.

Após muitas lutas, intrigas e difamações, os artistas franceses conseguem fundar a Academia de Belas Artes. Debret de temperamento combativo e trabalhador não se abateu com as diversidades e entre as atividades na academia ele pintou uma série de retratos da família real, diversos quadros históricos e uma infinidade de estudos e esboços que aproveitaria mais tarde para o seu livro.

Viveu 15 anos no Brasil, durante os reinados de D. João VI e Pedro I. Voltou para a França em 07 de abril de 1831, cansado e com a saúde abalada, além da saudade dos seus.

Em França, reuniu seus melhores trabalhos e publicou em 1834 o livro “Voyage pittoresque et historique au Brésil” em 3 volumes. Este livro, não muito valorizado pelos brasileiros da época, hoje é considerado um documento de valor incomparável para o estudo do Brasil daquela época.

Ah! As aquarelas de Torres que dizem ser dele encontram-se atualmente na “Chácara do Céu”, da Fundação Castro Maya, no Rio de Janeiro.

Fontes: Debret, Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil; Ruschel, Torres tem História; Nelson Adams Filho, História Torres – vol 1.

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