• Roni Carlos Costa Dalpiaz

DE QUE FORMA SE CHEGAVA EM TORRES ANTIGAMENTE


Torres nasceu como uma barreira ou uma porteira de entrada do estado do RS?

No primeiro momento sim, foi uma barreira, uma proteção, uma defesa do estado (província, na época). Depois serviu como uma porteira, com cobrança de impostos, para a entrada de pessoas e mercadorias. Mais tarde, descobriu sua vocação turística e abriu a porteira para os banhos curativos e depois simplesmente Sol e Mar. E está assim até hoje!

Como barreira ou porteira de entrada, Torres sempre viu as pessoas chegarem ou passarem por aqui. Tentando imaginar como chegaram os primeiros visitantes a primeira coisa que me vem em mente são os cavalos, mas poderiam ser mulas (burros) ou carroças puxadas por juntas de bois ou mesmo cavalos. Sim, certamente eles vieram à cavalo ou em carroças. Os serranos assim faziam, levavam cinco dias descendo a serra no lombo de cavalos e mulas.

Depois, com o turismo já instalado, as pessoas começaram a vir de outras formas.

Com o turismo balnear implementado em seu hotel, Picoral instituiu o primeiro serviço de “jardineiras” (carroças com dois rodados com tração animal) trazendo seus hóspedes diretamente da capital. Na sua primeira viagem, Picoral levou quatro dias, mas aprimorou o serviço e passou a levar menos tempo para completar a viagem.

Mais tarde foi agregado a esse transporte uma mescla de navegação lacustre com conexão por carro até Torres. E com o tempo e a experiência, novas formas de transportes foram surgindo, como carros adaptados para transportar mais pessoas até chegarem os novíssimos ônibus.

O início das atividades de transportes de passageiros por ônibus no litoral norte do estado se deu apenas em 1935, pela Empresa Jaeger. O ônibus partia de Porto Alegre com destino às praias passando por Gravataí, Glorinha, Miraguaia, Santo Antônio da Patrulha, Osório, Tramandaí, Três Forquilhas, Terra de Areia e Torres.

O Jornal o Torrense de fevereiro de 1949, comprova a existência desta linha, mostrando em suas páginas a propaganda da “Empreza Jaeger”, com os horários de saídas de Torres com destino à Porto Alegre, todas as terças, quintas, sábados e domingos, às 6 horas e às 13:30.

Também, no mesmo jornal, em abril de 1949 há uma propaganda de outra linha, a da “Empreza Ibañez”, Tôrres a Pôrto Alegre e vice-versa, saídas de Tôrres: segundas, quartas e sextas, às 6 horas e às 13:30, de Pôrto Alegre: Domingos, terças e quintas, às 5 horas e às 13:30 (grafia da época).

Como se vê havia o serviço das duas empresas para esta linha Porto Alegre à Torres, uma, me parece, atuava somente na temporada e a outra, pelo que se vê, o ano inteiro.

Mais tarde, depois de 1950, esta linha da Jaeger passou a ser feita pela Empresa Santos Dumont que permaneceu até o ano de 1966 quando foi vendida para a Unesul e, desde então, é a detentora da linha e de outras tantas que surgiram ligando as cidades do litoral à capital.

Coletivamente era assim que as pessoas vinham para Torres e para as outras praias do litoral norte do RS.

A abertura da BR 101 em 1947 (sem asfalto) iniciou um novo ciclo e as coisas começaram a mudar. Um novo caminho, uma nova forma de ir e vir da capital!

Bem, mas este é assunto para uma outra história...

Fontes: http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/cidades/noticia/2020/03/arroio-do-sal-aventuras-a-bordo-de-um-onibus-12191484.html; Alessandro Medeiros Torres, Atos e Relatos; http://showroomimagensdopassado.blogspot.com/2011/08/showroom-busologia.html

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