• Roni Carlos Costa Dalpiaz

ALGUMAS MEMÓRIAS DA CACHAÇA


A semana passada escrevi sobre a antiga AGASA e nas leituras resultantes da pesquisa, passei os olhos na vinda dos imigrantes alemães para cá lá pelos idos de 1826 e encontrei a cachaça. Sim, a cachaça torrense.

Na verdade, pelo menos para mim, a “Marisqueira” sempre foi a cachaça mais famosa e mais conhecida, a típica caninha da mais bela. Claro que eu sabia que ela não era feita em Torres, mas no município de Torres. Mais precisamente na Colônia São Pedro, o antigo distrito de Torres.

A história conta que o município de Torres, com a chegada dos colonos alemães, passou a ser um expressivo produtor de aguardente e como estes colonos foram assentados na Colônia São Pedro, esta era a grande fabricante deste produto.

Acho que não é tão divulgado que a antiga Colônia São Pedro de Alcântara, hoje município de Dom Pedro de Alcântara, é o segundo núcleo alemão mais antigo do estado, o primeiro é São Leopoldo no vale do Rio dos Sinos.

Como distrito de Torres, em 1828, a Colônia São Pedro encontrou na produção canavieira um esteio para resistir ao isolamento. Este isolamento é tratado em todos os livros como o principal obstáculo para o crescimento e desenvolvimento da colônia de então. Não havia rotas viáveis para o escoamento do que era produzido por lá e por este motivo, diferentemente de São Leopoldo e região, a colônia não teve o mesmo sucesso. Isso perdurou por muito tempo até surgir a navegação lacustre entre Osório e Torres, em 1921. Produtos como a banana e a cachaça faziam o trajeto mais viável daquela época, apesar de existir desde 1912, a navegação lacustre funcionou mesmo em 1921. Esses produtos eram levados até o Porto da Colônia ou no Porto Guerreiro; seguiam até Osório por via lacustre, ferroviária até Palmares e novamente lacustre até Porto Alegre, podendo subir o Sinos até São Leopoldo. Este transporte era caro e difícil, mas tudo mudou com a abertura da estrada federal BR-101, na década de 1950, alavancando o comércio de produtos derivados da cana-de-açúcar.

E é assim até hoje, não houve um grande crescimento. O distrito virou município em dezembro de 1995 e continuou no seu ritmo lento. A aguardente aos poucos foi dando o lugar para a banana, que passou a ser o principal produto do município.

Como consequência do antigo isolamento e do lento crescimento, o município de Dom Pedro de Alcântara, se manteve como que congelado no tempo e ainda guarda aquela atmosfera de um vilarejo rural típico e pacato.

FONTES – Vera Lúcia Maciel Barroso – Moendas Caladas/2006/PUCRGS, Dissertação Doutorado em História; José Krás Selau – “Colônia São Pedro – Um Pouco de Sua História”, 1995;

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