• Roni Carlos Costa Dalpiaz

A RELAÇÃO ENTRE A ARTE E O TURISMO

Dizem que a melhor maneira de aproveitar os espaços públicos em uma cidade é agregar fatores simbólicos ao local, isso funciona melhor ainda quando se trata de uma cidade turística.


Na semana passada eu escrevi sobre algumas esculturas discretamente espalhadas pela cidade, porém, como já disse, existem poucas e seu valor turístico é quase nulo.

Sabemos que os três segmentos da relação entre turismo e arte são o passeio, a aquisição cultural e a fotografia. Estes segmentos permeiam monumentos, esculturas, prédios históricos, praças e espaços relevantes para uma cidade e os ligam com a demanda turística pelo destino escolhido.

Aqui em Torres temos alguns exemplos desta relação, mas vou usar um monumento atual e recentemente colocado na faixa de grama da prainha, o controvertido “Monumento Torres”. Uma cópia de vários outros espalhados pelo mundo e que viraram mania na maioria das cidades. Embora eu ache pouco criativo, ele até funciona para explicar essa relação entre o turismo e a arte.

O primeiro segmento é o passeio que se relaciona com o destino escolhido, que no caso deste monumento, é Torres. Na maioria das vezes o “monumento” é que motiva a viagem, embora possa ser um ingrediente a mais no somatório das razões da viagem. Também neste caso, ele nem chega a ser um desses ingredientes, apenas uma mínima parcela dentro do total de razões. Não, não estou desdenhando o tal monumento, só estou dando a sua devida importância dentro do contexto de cidade turística que é Torres. Ele é apenas um atrativo fotográfico.

Diferentemente da estátua do Laçador (ou monumento ao Laçador) em Porto Alegre que atrai pessoas para conhecê-la e em função dela há incremento no fluxo turístico da cidade. Definida por lei municipal como Símbolo Oficial de Porto Alegre em 1992, ela foi tombada como patrimônio histórico de Porto Alegre em 2001. Em 2007, o monumento foi transferido de seu local original, o largo do Bombeiro, para o sítio O Laçador, em razão da previsão da construção do viaduto Leonel Brizola.

O segundo, é a aquisição cultural, relacionada com o conhecimento e a apreensão da história e cultura agregada a um determinado monumento.

O “Monumento Torres”, não repassa conhecimento nem aspectos culturais por si próprio. Nada auxilia o visitante a conhecer melhor a história da cidade, nem mesmo a origem do tal nome “Torres”! De onde surgiu, quem nomeou, porque o nome, ou se ela já teve outros nomes antes deste. Nada remete a isso. Pode apenas despertar o interesse, mas não informa, não há aquisição cultural, novamente, apenas fotografia!

O terceiro segmento é a fotografia, e que representa a perpetuação do momento da visita.

No caso do nosso exemplo, neste segmento é onde surge a finalidade do monumento. Fotografar o momento, deixar marcada a visita e, como dizem alguns amigos, com a legenda embutida.

Com o tempo, vimos que a aceitação e o registro é feito com naturalidade por torrenses e por turistas, e esse é o seu objetivo maior. Pelo que se vê cumpriu e continua cumprindo sua função.

E é aí neste ponto que quero chegar. Se um “monumento” com pouco significado, em pouco tempo cumpre sua função, porque não aproveitar outros monumentos que estão aqui na nossa frente implorando um olhar mais aguçado, um olhar mais “turístico”, talvez.

Estou falando de pelo menos três: o monumento “A guarita Salva-vidas” da praia grande, o prédio histórico “Abrigo da SAPT”, e o terceiro “Farol de Torres”, o de 1952.

São três belos exemplares, um está à beira mar há mais de 60 anos, observando a cidade se modificar e estão presentes em grande parte das fotografias de época, fazem parte de diversos álbuns de veranistas e turistas antigos, e cumpriram durante anos seu papel turístico e cultural, hoje o primeiro está isolado por grades e fitas, o segundo, depois de ser muitas vezes, “reformado” e posteriormente abandonado está em péssimo estado, agonizando e recebendo apenas algumas “maquiagens”, e o terceiro, abandonado aguarda por vários anos uma restauração e limpeza.

São apenas três exemplos de monumentos que aí estão, não precisam serem inventados só cuidados, valorizados e restaurados, é claro!

Restaurados e a disposição dos torrenses e turistas, eles serão muito mais representativos e completos do que o insosso monumento “Torres”.

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