• Roni Carlos Costa Dalpiaz

A ARTE ESQUECIDA NAS RUAS DA CIDADE



A Mona Lisa é um dos quadros mais conhecidos do mundo. Qualquer pessoa, se perguntada, reconhecerá o tal quadro. Com exceção deste, poucos outros serão reconhecidos, de pronto, por qualquer indivíduo.

Embora muitos achem a arte supérflua, estamos rodeados por ela.

A arte é inspiradora!

Não tem como não notá-la pois, para qualquer lado que você olhe, verá a arte manifestada, seja nas ruas, nas placas, nas cores, na arquitetura, nos parques, na praia. Queira ou não, a arte está em tudo.

Passeando pelas ruas de qualquer cidade podemos encontrar “manifestações artísticas” em monumentos, estátuas, painéis, vitrais ou em coisas do dia-a-dia como uma placa de trânsito, um outdoor na estrada, uma fachada de loja ou em um hall de um edifício qualquer.

Porém, a arte em geral, já teve seus melhores momentos. No passado, até nem tão remoto assim, havia a valorização do trabalho artístico e da cultura local, regional, nacional e internacional. Os tempos eram outros, claro, e as necessidades também!

Para ficarmos em apenas um exemplo, vou citar os parques e praças de uma cidade. Antigamente, a grande maioria dos parques no Brasil era “decorado” com estátuas de pessoas ilustres ou com esculturas elaboradas por artistas (renomados ou nem tanto). Havia a valorização da cultura manifestada na arte da confecção do monumento.

O Rio de Janeiro é um bom exemplo disso. É quase impossível andar pelas suas ruas e não se deparar com homenagens a figuras ilustres que fazem parte da história da cidade. Ao todo, são 1.265 monumentos, como bustos e estátuas, em 83 bairros. Poetas, músicos, escritores, políticos: todos têm o seu espaço reservado na memória do Rio.

Por aqui as coisas são mais modestas. Não há, quase, essa forma de arte pelas praças da cidade. O que ainda se vê, é uma ou outra manifestação artística deste tipo, fruto de ações do passado, como um marco ou uma placa comemorativa, apenas isso. Não existem bustos, esculturas ou estátuas em nossas praças.

O que me recordo sobre algo do tipo, me parece bem mais moderno e fora das praças.

Aqui na cidade surgiram, no passado, pelo menos três edifícios que valorizaram seus empreendimentos colocando esculturas em frente aos seus prédios. O primeiro é o Edifício Casa Blanca, com a escultura de um arpoeiro, o segundo é o Edifício Mar Azul, com a escultura de um tarrafeador e o terceiro é o Edifício Neptuno, com a escultura do próprio Netuno. Todas se encaixaram de alguma forma com a cultura local, valorizadas na temática do sol e mar.






Poucos são os exemplares colocados em pontos aleatórios na cidade, como o monumento ao surfista (próximo à sede da SAPT) que foi recentemente restaurado, ou a estátua da índia Ocarapoti, na praça dos escoteiros à beira da lagoa do Violão. Talvez sejam eles os derradeiros deste tipo de arte aqui na cidade.

A falta desses elementos artísticos pela cidade contrasta com a abundância de atrativos naturais. Seria interessante para a cidade balancear melhor esta equação.

Na onda da valorização da cultura, das histórias, do legado, e de tudo que envolve a cidade como atrativo, chamo a atenção dos novos e atuantes ativistas para o preenchimento desta lacuna. Que tal espalharmos pela cidade obras de arte que remetam à história e a cultura da nossa cidade!

Poderíamos iniciar por ações individuais inspiradas no passado recente.

Seria uma boa ideia, os construtores trocarem os belos coqueiros uruguaios por uma manifestação artística em forma de escultura ou monumento com temática da cultura, modos e costumes litorâneos.

Nossa cultura e nossa história seria homenageada e valorizada de forma permanente e duradoura. O que acham?

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